Dá pra resolver Manaus Ambiental?

  • Postada em: 12/09/2017
  • Autor: Eustáquio Libório

Reclamar sobre a precariedade dos serviços públicos como saúde, educação, transporte coletivo, fornecimento de energia, água e até do esgoto sanitário já não é novidade. Independente da forma como tais serviços são prestados, seja diretamente pelo poder público ou via concessão, ao usuário cabe a parcela de pagar por serviços de má qualidade e o exemplo mais emblemático são as paralisações no transporte coletivo.

No entanto há serviços que, apesar utilizarmos todos os dias só são vistos quando entram em colapso, ou quase. É o caso da implantação de adutoras para abastecimento de água e do serviço de esgoto, tanto pluvial quanto sanitário. Se aos governantes, por se tratar de obras que “não aparecem”, e em sua visão podem não render dividendos eleitorais, na perspectiva do contribuinte os problemas são mais efetivos.

Implantar adutoras e esgoto sanitário mexe com a vida das pessoas dada a necessidade escavações nas vias por onde tais equipamentos urbanos vão ser implantados ou substituídos, dependendo da necessidade de cada logradouro.

Se as escavações já causam problemas com os desvios do trânsito e até interdição de ruas, pior ainda é quando tais obras não vão proporcionar serviços de uso imediato para a comunidade onde são implantados, ou vão ampliar gastos do contribuinte na forma de novas taxas e onerar mais as já existentes, como parece ser o caso da implantação e substituição do sistema de esgotamento sanitário que a Manaus Ambiental está fazendo na Cidade Nova 1, Zona Norte.

Inaugurado no início dos anos 1980, aquela comunidade não chegou à quarta década de existência, mas os problemas com o esgotamento sanitário vêm de longe. Se por um lado não há como questionar a necessidade de implantação do serviço, por outro, a maneira como está sendo efetivado deixa muito a desejar, que o digam os moradores da área compreendida entre a avenida Noel Nutels até o conjunto Renato de Souza Pinto 1, onde as obras estão em andamento.

Moradores mais antigos dessa área dizem que os dutos de coleta dos dejetos sanitários estavam instalados a cada lado das vias, os quais, agora, serão coletados por apenas um duto, em implantação pela RD Engenharia. Ora, se com os coletores duplos os moradores quase sempre tiveram problemas, a tendência é que tais ocorrências venham a se agravar com os dutos em implantação.

Para complicar mais a equação, embora a concessionária do serviço de água e esgoto nada tenha dito no panfleto que comunicou à população a realização do serviço, existe também a expectativa de que, com o investimento na nova rede de esgoto, também virá, a reboque, aumento na tarifa, além dos custos com a quebra de calçadas dos moradores para interligar as casas à rede ora em implantação.

Inegável, até o momento, é a piora na qualidade de vida dos moradores com ruas escavadas deixadas sem recapeamento asfáltico e com uma camada de  barro que se elevando em forma de poeira a toda hora, afetando a saúde dos moradores, e se transformando naquela lama pegajosa em dias de chuva como na madrugada desta terça-feira, 12. Dá pra resolver Manaus Ambiental?

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